SALVADOR, 7 Fev (Reuters) - O governo da Bahia busca na terça-feira uma saída negociada para a greve da Polícia Militar, que já provocou uma disparada no número de homicídios e afeta a imagem do Estado a poucos dias do Carnaval. O movimento agora ameaça se espalhar para outras partes do país.
A Secretaria de Segurança da Bahia contabiliza cerca de 115 assassinatos desde o início da greve policial, em 31 de janeiro -mais do que o dobro da média habitual no Estado, que tem uma das maiores taxas de criminalidade do país.
As autoridades buscam evitar um confronto entre centenas de policiais entrincheirados na Assembleia Legislativa, em Salvador, e mil soldados do Exército que os mantêm sob sítio desde a madrugada de segunda-feira.
"Aqui está todo mundo armado, mas nosso movimento é pacífico e ordeiro", disse à Reuters o líder da greve, Marcos Prisco, falando por telefone de dentro do prédio.
"Se você manda uma tropa armada cercar uma Assembleia Legislativa com outra tropa armada, esse confronto poderá acontecer. Mas partindo da gente, não vai acontecer", acrescentou.
O protesto expõe a fragilidade institucional do Brasil, que espera consolidar seu papel como sexta maior economia do mundo com a organização da Copa de 2014 e da Olimpíada de 2016.
Os grevistas parecem ter desistido da sua reivindicação de um aumento salarial de 30 por cento, e estão dispostos a abandonar o protesto se as autoridades revogarem o mandado de prisão contra os líderes do movimento.
Mas o governador Jacques Wagner (PT) suspeita que alguns dos grevistas estejam por trás dos homicídios e roubos que estremeceram Salvador, e descartou falar em anistia.

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