Conhecido por seu estilo apaziguador, o secretário municipal de Turismo de Ilhéus, Paulo Moreira, exagerou na dose, hoje, durante uma entrevista que concedeu a uma emissora de rádio local. Defendeu-se, atacando. Só mirou no alvo errado. Ao acusar a imprensa de ser "aves agourentas" que pouco contribuem para a melhoria da autoestima da cidade, Paulo se equivocou. A verdade é que as aves que ele enxerga de longe podem estar muito mais próximas do que ele imagina. Algumas pousadas em seu próprio ombro.
Afinal, seria da imprensa a culpa pela falta de recursos para a sua pasta? Seria da imprensa, a responsabilidade de a Setur ser hoje o maior objeto de troca quando o governo municipal quer construir algum tipo de aliança política? Seria culpa da imprensa o fato de que ele hoje está no cargo porque simplesmente não há nenhum outro técnico que queira assumir uma secretaria que não conta no final do mês com um mísero real para investir no setor?
Quem tem o compromisso maior de construir a autoestima de uma cidade, amigo Paulo, são as pessoas que a dirigem. À imprensa cabe o papel de exercer o senso crítico, apontar falhas, elogiar o elogiável. Achar que o turismo de Ilhéus vai bem é um equívoco. Não vai. É fato de que absolutamente ninguém de fora respeita o setor. A sorte de Ilhéus é que o seu turismo atual se constrói alicerçado na sua própria história e na natureza (maltratada, por sinal) que a cidade possui.
Se Paulo acha a cidade mais limpa, a imprensa não pode ser ave agourenta por achar que ainda falta muito. Se Paulo acha que no decorrer do ano a cidade fez muito, a imprensa não pode esquecer que no reveillon os fogos "bufaram", que na lavagem das escadarias da Catedral a água de um caminhão-taque todo furado escorreu pelas bocas-de-lobo antes de descerem as escadarias do templo religioso. Vem agora aí a festa de Iemanjá. Podemos antecipar: ela vai acontecer. Mas não dirá absolutamente nada de positivo para o turismo local.
Sugerimos a Paulo que foque o seu trabalho em melhorar (e muito) o que vem sendo feito e planejar o que ainda poderá ser. Esse é o seu verdadeiro papel. O nosso é acompanhar tudo isso de perto. Com equilíbrio e sensatez, qualidades que muitas vezes faltam àqueles que nos representam no poder.
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