O nono dia de greve dos policiais militares e bombeiros da Bahia coincidiu com o 139º assassinato registrado em Salvador e arredores desde o início da paralisação, em 31 de janeiro, segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado. Com as sete mortes desta quarta-feira (as 24 horas menos violentas desde o segundo dia de greve), a quantidade de casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar) na região supera os 137 computados em todo o mês de fevereiro de 2011. O quarto dia de paralisação policial foi o mais violento, com 32 homicídios registrados.
Somados furtos e roubos de veículos em fevereiro do ano passado, a região de Salvador teve 441 ocorrências, contra 301 nos nove dias de greve. Mais uma vez, o quarto dia de paralisação foi o que registrou mais carros subtraídos (72). Até aqui, foram contabilizados 50 roubos a coletivos, enquanto em todo o mês de 2011 foram 75 os casos.
O último assassinato registrado foi o de um adolescente de 17 anos em Itinga, às 14h50. No início da manhã, um homem ainda não identificado foi morto na alameda Praia, no bairro Stella Maris, por volta das 10h25. Os demais homicídios ocorreram nos bairros de Brotas, Ribeira e Bonfim, e no município de Jaguaripe, na Grande Salvador.
Somente em Feira de Santana, principal cidade do interior baiano, já são 22 os homicídios desde o início da greve. Nesta tarde, dois homens desconhecidos montados em uma motocicleta assassinaram Anderson Cleiton Mota da Silva, 32 anos, conhecido como Vovô. O crime aconteceu no caminho Irará, no bairro Cidade Nova, e próximo ao corpo da vítima foram encontradas várias cápsulas de pistola calibre 380. No início da tarde, a vítima foi o cigano Arnor Benigno da Silva, 39 anos, eliminado com cerca de cinco tiros dentro de um Fiat Uno vermelho. Segundo informações preliminares da Policia Civil, Arnor era morador do município de Irecê, a 350 km de Feira de Santana, e teria vindo à cidade para recolher exames médicos em um hospital.
A greve
A greve dos policiais militares da Bahia teve início na noite de 31 de janeiro. Cerca de 10 mil PMs, de um contingente de 32 mil homens, aderiram ao movimento. A paralisação provocou uma onda de violência em Salvador e região metropolitana. O número de homicídios dobrou em comparação ao mesmo período do ano passado. A ausência de policiamento nas ruas também motivou saques e arrombamentos. Centenas de carros foram roubados e dezenas de lojas destruídas.
Em todo o Estado, eventos e shows foram cancelados. A volta às aulas de estudantes de escolas públicas e particulares, que estava marcada para 6 de fevereiro, foi prejudicada. Apenas os alunos da rede pública estadual iniciaram o ano letivo.
Para reforçar a segurança, a Bahia solicitou o apoio do governo federal. Cerca de três mil homens das Forças Armadas e da Força Nacional de Segurança foram enviados a Salvador. As tropas ocupam bairros da capital e monitoram portos e aeroportos.
Dois dias após a paralisação, a Justiça baiana concedeu uma liminar decretando a ilegalidade da greve e determinando que a Associação de Policiais e Bombeiros e de seus Familiares do Estado da Bahia (Aspra) suspenda o movimento. Doze mandados de prisão contra líderes grevistas foram expedidos.
A categoria reivindica a criação de um plano de carreira, pagamento da Unidade Real de Valor (URV), adicionais de periculosidade e insalubridade, gratificação de atividade policial incorporada ao soldo, anistia, revisão do valor do auxílio-alimentação e melhores condições de trabalho, entre outros pontos.
Com informações da agência A Tarde.

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