Estudante cego de SP vai cursar ciência da computação nos EUA

Maurício Almeida, de 18 anos, vai para a Universidade de Michigan em agosto (Foto: Vanessa Fajardo/ G1)
Maurício Almeida, de 18 anos, tem pressa. Nasceu aos 6 meses e foi para a incubadora, onde o ar descolou sua retina. Desde então, percebe apenas contornos e cores. A bengala o ajuda a se locomover. O jovem nunca estudou em escolas especiais, domina o braile, mas hoje o substituiu pelos softwares que leem textos no computador. Aprendeu inglês com jogos na internet, foi professor voluntário e, recentemente, foi aprovado para cursar ciência da computação na Universidade de Michigan, nos Estados Unidos. A estreia do passaporte será em agosto.
O garoto nem chegou a prestar vestibular no Brasil. Concluiu o ensino médio em uma escola americana com sede em São Paulo e nesse período decidiu que queria morar fora do país. Escolheu os Estados Unidos por acreditar que as universidades americanas têm mais estrutura para os deficientes visuais. A formação facilitou o ingresso. Para concorrer à vaga, Maurício não teve de fazer o teste de proficiência em inglês, o Toefl (Test of English as a Foreign Language), mas encarou o Scholastic Assessment Test (SAT, Teste de Avaliação Escolar), uma espécie de "Enem americano".
O estudante, que mora em São Paulo com o pai consultor, a mãe dona de casa e um irmão mais novo, nunca saiu do Brasil, mas diz estar tranquilo com a mudança para os Estados Unidos. Vai morar no campus da universidade. Não teme bullying, preconceito ou qualquer outro tipo de discriminação por conta da limitação visual. “Não fui criado como um ‘cego coitado’, por isso não sei o que é preconceito. Sempre me considerei normal e nunca fui rejeitado”, diz. Maurício não acredita que a deficiência tenha interferido no processo de seleção da universidade.

G1

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