A Draco-IE (da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais), que prendeu 10 pessoas na Operação Pandora Dois na manhã desta quinta-feira (6), continua à procura de um dos chefes do grupo, Dijanio Aires Diniz, conhecido como “Pastor”. Segundo a polícia, ele chefia uma rede de agiotas e usava uma igreja evangélica como escritório para empréstimos e cobranças.
No local, de acordo com o delegado Alexande Capote, ele chegou a ameaçar
violentamente um “cliente” que pegou dinheiro emprestado.
Investigações apontam que a agiotagem era uma das atividades mais
rentáveis da quadrilha, que chegava a cobrar 30% de juros ao mês das
vítimas, com ameaças violentas a quem atrasasse o pagamento. “Pastor”
seria um dos mais atuantes agiotas do grupo. Na Igreja Pentecostal Deus é a
Luz, em Campo Grande, os agentes apreenderam um cofre e equipamentos de
informática. Ele chefiava o grupo com o ex-policial militar Carlos Henrique
Garcia Ramos, muito conhecido pela truculência, que foi preso em flagrante,
em maio deste ano, quando extorquia R$ 120 mil de uma vítima.
A violência imposta pela quadrilha pôde ser constatada em um episódio
envolvendo o pastor Dijanio, como relata a denúncia da Promotoria, que
apoiou a Draco na operação desta quinta e no ano passado: em junho de
2011, dentro da igreja, Dijanio ameaçou violentamente um homem que pegou
R$ 50 mil emprestados.
A vítima foi ao templo informar que atrasaria o pagamento apenas daquele
mês, pois passava por dificuldades financeiras. Na época do empréstimo, em
dezembro de 2010, o homem, ainda de acordo com informações da Draco,
entregou a Dijanio 12 cheques no valor de R$ 5 mil a serem descontados
mensalmente, além de ter se comprometido a pagar outros R$ 2,5 mil em
dinheiro todo mês, a título de juros. Em escutas telefônicas gravadas com
autorização da Justiça, “Pastor” ameaça o homem: “Agora que você sabe de
quem é o dinheiro, dá seu jeito. Henrique não perdoa”, ameaçou, referindo-se
ao ex-PM Carlos Henrique.
De acordo com as investigações, o bando atuava em cinco bairros da zona
oeste e cometia uma série de crimes como agiotagem, extorsões, ameaças,
comércio ilegal de combustíveis, além da exploração de transporte alternativo,
de máquinas caça-níqueis e cobrança irregular de “taxa de segurança”. Foram
apreendidos um caminhão com combustível supostamente adulterado, cinco
carros importados, três armas, munição de uso restrito, um disco rígido de
computador (HD), cerca de R$ 5 mil e vários computadores e documentos.
Além da formação de quadrilha para a prática de crimes hediondos, “Pastor”
também responderá por extorsão. O Gaeco também requereu ao Juízo da 42ª
Vara Criminal mandados de busca e apreensão nos endereços residenciais de
todos os denunciados e também a quebra de sigilo bancário e bloqueio
cautelar da conta corrente de “Pastor”.
Informações R7

REDE SOCIAIS