Coronel dos Bombeiros garante normalidade mesmo com greve

Foto: Wilson Spiler
Em entrevista coletiva no centro do Rio de Janeiro, o comandante do Corpo de Bombeiros e secretário de Defesa Civil do Rio, coronel Sérgio Simões, falou sobre a possível paralisação das classes - que, além dos bombeiros, inclui ainda agentes penitenciários, policiais militares e civis - no período de carnaval. Ele explicou que é contrário à possível greve e garantiu que há um esquema especial pronto. Durante a manhã desta quinta-feira, a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) aprovou a antecipação de um reajuste no salário da classe, mas o valor ainda é considerado insuficiente e o perigo de greve se intensificou.
De acordo com Simões, estão de sobreaviso cerca de 14 mil homens do exército e cerca de 300 homens da Força Nacional para o caso de confirmação da greve. Ele explicou ainda que considera a participação do segundo grupo fundamental, já que os militares poderiam apenas prestar apoio na segurança, enquanto a força Nacional teria capacidade para atuar em situações mais específicas dos bombeiros. Baseado nisso, o Coronel garantiu que o "carnaval está 100% garantido" e que será mantido o esquema já feito para as festividades.
Ele explicou que colocou todo o pessoal administrativo de prontidão e que existem aproximadamente 700 homens entre efetivos de oficiais e praças que têm condições de atuar na cidade. "A partir de hoje (quinta-feira) não existe mais efetivo administrativo. São cerca de dois mil homens que em caso de greve atuarão até em finais de semana", afirmou Simões.
O coronel se declarou totalmente contra a greve, afirmando que não consegue olhar um companheiro que veste a mesma farda e imaginar que ele possa parar de trabalhar. Ele ressaltou ainda que uma paralisação da classe não é uma situação apenas trabalhista, mas influi fortemente na vida e segurança das pessoas. "Nos agride essa proposta absurda de negociação. Nós não negociamos com a base única de discussão sendo a greve. Bombeiros em nenhum lugar do mundo pode entrar em greve", afirmou.
Além de ser contrário ao movimento de paralisação, Simões enalteceu a conquista do aumento dos salário para a classe. "Temos um norte de recomposição salarial. Não é razoável que se estipule um valor de R$ 3,5 mil e se ache que o governo estadual tem saúde financeira para isso", analisou.
Ele lembrou também que é sempre muito difícil lidar com uma greve que envolva instituições como a do Corpo de Bombeiros, mas disse que espera o mínimo de adesão por parte dos oficiais.
Prisão do cabo Daciolo passa a ser questão da Justiça
O coronel Simões comentou também sobre a prisão do cabo do Corpo de Bombeiros Benevenuto Daciolo, preso na noite desta quarta-feira ao desembarcar no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Daciolo é acusado de incitar o movimento grevista nos Bombeiros e na Polícia Militar do Rio e manter contato com os grevistas do estado da Bahia.
De acordo com Simões, o cabo foi preso provisoriamente por 72h em uma medida administrativa tomada pela gravidade dos fatos envolvendo o bombeiro. Agora, foi solicitado a juíza da auditoria de justiça militar que decretasse a prisão preventiva do oficial. O decreto talvez ocorra ainda nesta quinta-feira. "Agora está nas mãos da justiça", explicou Simões.
De acordo com o coronel, Daciolo já tem um histórico de problemas. Ele explicou que o cabo vinha se envolvendo em uma sequência de crimes do código militar e transgressões disciplinares há cerca de oito meses, mas havia sido beneficiado pela anistia.
Ainda segundo ele, os que se envolverem com a possível greve também serão punidos. Ele explicou que aprendeu com o caso de paralisação na Bahia e pretende analisar com "muito equilíbrio" para não utilizar critérios diferentes para a mesma transgressão.
Edição: Victor Rocha
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